Tomei a pílula do dia seguinte! E agora? por Priscilla Queiroz

Tomei a pílula do dia seguinte! E agora?

Em 2019, a pílula do dia seguinte (PDS) completa 20 anos desde a sua liberação no Brasil. E, de lá para cá, os assuntos que envolvem os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres ganharam ainda mais força. Mas o mais curioso é que, apesar de todo esse tempo, o uso deste método contraceptivo ainda gera dúvidas. No balcão farmacêutico, a cena é clássica: muitas meninas chegam desesperadas à procura da PDS, porém sem saber como usá-la e com medo do seu efeito no organismo.

Pensando nisso que, no artigo deste mês, esclareço as principais perguntas sobre o uso da pílula do dia seguinte. Confira!

O que é a pílula do dia seguinte?

A pílula foi nomeada como “do dia seguinte” exatamente por ser um método contraceptivo usado pelas mulheres em situações de emergência. Isso significa dizer que a PDS só deve ser utilizada quando os métodos convencionais falham ou são esquecidos, oferecendo assim riscos de uma gravidez indesejada. Por exemplo: quando a menina esquece de tomar corretamente a pílula anticoncepcional; ou quando a camisinha estoura durante a ejaculação; ou, até mesmo, quando os envolvidos praticam sexo sem proteção.

Como a PDS funciona?

A PDS é composta por levonorgestrel, um medicamento feito com hormônio concentrado que atrasa ou inibe a ovulação. Nas farmácias, é possível encontrar a pílula em duas medidas: a dose única, com comprimido de 1,5 mg, e a dose fracionada, que consiste numa embalagem com dois comprimidos de 0,75 mg.

Quando se opta pela dose única, é recomendado que o medicamento deva ser ingerido em até 72 horas após a relação sexual. Já na dose fracionada, o primeiro comprimido deve seguir essa mesma regra, enquanto o segundo comprimido deve ser tomado 12 horas após a administração da primeira dose.

No entanto, para aumentar a eficácia deste método, é preferível que a pílula seja tomada o quanto antes ou em até 12 horas após a relação sexual. Estudos apontam que, nas primeiras 24 horas, o medicamento chega a ter 88% de eficácia.

Sua ação no organismo

Como dito anteriormente, o objetivo da pílula é bloquear a ovulação e dificultar a incidência de uma gestação inesperada. Por isso, caso a mulher não tenha ovulado, a PDS inibirá a entrada do espermatozoide no útero, diminuindo as chances de fecundação. Logo, isso também responde a outra questão muito comum: a pílula não é abortiva, pois ela não elimina o embrião do útero.

Os principais sintomas do uso da PDS são náuseas, vômito, dor de cabeça, diarreia e alterações no ciclo menstrual. Contudo, é preciso ressaltar que, se usada com muita frequência, a pílula pode acentuar esses efeitos colaterais e até perder a sua eficácia, principalmente porque se trata de uma bomba hormonal. Um comprimido de emergência possui uma dose de hormônio 10 vezes superior às pílulas anticoncepcionais diárias.

Contraindicações

Se você tem restrições quanto ao uso do anticoncepcional, fique atenta, pois elas também podem se aplicar à PDS. Isso acontece porque o hormônio utilizado em ambos os medicamentos é o mesmo. Então, caso você tenha histórico familiar ou risco de trombose, evite tomar a pílula de emergência também.

Mulheres com problemas cardiovasculares, metabólicos, hipertensão e obesidade mórbida também estão nesse grupo de pessoas que devem evitar o uso da PDS.

Boas práticas farmacêuticas

Nesse contexto, os farmacêuticos e balconistas cumprem um papel social muito importante quando se trata em facilitar e garantir que a população tenha acesso aos métodos necessários para a atividade sexual, o planejamento reprodutivo e à prevenção da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis. Ao ser abordado por uma cliente que está a procura de um produto ou medicamento, sobretudo a pílula de emergência, é dever destes profissionais oferecer orientação farmacêutica sem quaisquer julgamentos.

Por ser um remédio que não necessita de prescrição médica, a atenção dos profissionais de farmácia e drogaria para tirar quaisquer dúvidas, é fundamental para assegurar a vida e saúde das mulheres.

Ficou com alguma dúvida? Deixe aqui embaixo o seu comentário!

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