No Dia da Mulher, cinco mulheres contam suas histórias de luta e superação diárias por Qual Farmácia

No Dia da Mulher, cinco mulheres contam suas histórias de luta e superação diárias

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, neste ano, o Qual Farmácia promove uma ação diferente. Ao invés de distribuir flores e bombons, coletamos depoimentos de mulheres que, em pleno século XXI, ainda travam lutas diárias por uma sociedade mais igualitária, com menos violência e preconceito.

Porque mais do que uma data comemorativa, vale lembrar que o dia 08 de março é um manifesto. Manifesto esse que surgiu no final do século XIX em meio às lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, além do direito ao voto. E, embora muitas conquistas tenham sido alcançadas, hoje as mulheres ainda buscam avanços por equidade (imparcialidade e igualdade) e direitos civis.

Confira a seguir histórias de personagens que, em cada linha, falam sobre empoderamento, resistência, militância, liberdade, independência e luta contra os mais diversos tipos de preconceito que ultrapassam até mesmo o gênero e o sexo, como o racismo e a discriminação devido às limitações físicas, fazendo com que travem batalhas duplas em suas vidas.

“As pessoas falam que feminismo de internet não resolve nada, mas foi essa militância que salvou minha vida.”

Tive um relacionamento abusivo durante 13 anos no qual fui violentada de todas as formas – física, psicológica e sexualmente. Porém, somente em 2017 que consegui dar um basta nessa relação. Não só por mim, mas principalmente por meu filho de dois anos. Foi durante a gestação que me dei conta de que eu não era culpada pela situação que vivia.

Nesse sentido, a gravidez foi uma bênção e uma rebelião. Afinal, há muito tempo eu ensaiava abandoná-lo, mas faltava forças. Porém, lendo sobre parto humanizado e protagonismo da mulher no parto foi que cheguei ao feminismo, onde passei a ter consciência de que eu não merecia viver numa relação desta maneira.

Com a chegada do meu filho tive muitas confirmações de que era preciso abrir mão de uma família de aparências. Meu ex-marido já havia me destruído de todos os jeitos ao ter me pedido para largar meu emprego, mudar de cidade, me afastar da minha família, fazendo com que eu perdesse minha liberdade e independência. E eu me recusava que meu filho sofresse com um lar que não lhe transmitisse segurança.

Hoje, eu não tenho a vida perfeita, porque fiquei sem assistência nenhuma. Mas, finalmente, sinto que estar longe dele é o melhor que posso fazer por mim e por meu filho. Em março, finalmente, voltarei para minha cidade para recomeçar minha vida.”

Viviane (nome fictício) escolheu dar esse depoimento em anonimato, pois o processo por agressão física ainda corre na justiça.

“Viajar sozinha é sinônimo de liberdade.”

“A oportunidade de fazer um intercâmbio foi um acaso, nunca sonhei com isso, mas se tivesse sido planejada talvez não tivesse acontecido de forma tão perfeita. Eu estava consumida por problemas que não eram meus e parecia impossível passar um ano em outro país. Quando coloquei os pés na Alemanha estava convencida que algo daria errado, então perdi o medo de fazer as coisas: me convenci a aproveitar tudo.

Viajar sozinha nos dias vagos foi a maneira de me redescobrir e, especialmente, de descobrir o mundo ao meu redor. Me hospedei em quartos mistos de hostels, conversei com pessoas nas ruas (e confiei nelas!), peguei carona com desconhecidos: tudo que, em outro momento, provavelmente não teria feito. Sem perceber, viajar sozinha se tornou algo necessário para mim, não consigo me imaginar sempre acompanhada de alguém – ou mesmo depender de alguém para viajar. É o meu sinônimo de liberdade.”

Ana Seerig tem 25 anos e é professora de Alemão na cidade de Caxias do Sul (RS).

“Para as negras, a luta é diária.”

Uma vez, eu vi uma matéria em que afirmava que os negros já acordavam pensando em que tipo de preconceito iam sofrer durante o dia… E é verdade! Na fase adulta, muitas vezes as situações de racismo são veladas, mas durante a infância isso é explícito. Porque as crianças aprendem a ser cruéis dependendo da educação que têm. Até hoje lembrar de algumas histórias da escola me doem!

Quando eu tinha seis anos, por exemplo, um rapaz um pouco mais velho me xingou – pelo fato de eu ser negra – e me deu uma tapa no rosto. Em seguida, fui à secretaria procurar a diretora e adivinha? Ela não fez nada! Ele saiu impune. Imagina quantas crianças passam por isso todos os dias? Por isso que, desde cedo, a gente aprende que é preciso resistir e que, na prática, todo esse discurso de meritocracia não funciona.

Atualmente, sou psicóloga clínica, faço Estudos de Relações Étnico-Raciais e sei que se as negras não estudam ou não trabalham o dobro do que as brancas, elas não chegam a lugar nenhum. Porque falta espaço para nós! Falta representatividade! Mas, assim como eu, outras meninas negras que vivenciam a mesma situação aprendem a seguir em frente e a ter força e a resistir. Porque, definitivamente, a cor de nossa pele não define a nossa inteligência, sequer nossas capacidades.”

Kátia Brandão mora em Paulista (PE), tem 31 anos e, graças a sua mãe adotiva, que teve a possibilidade de investir sempre na sua educação e formação, formou-se em Psicologia pela Faculdade Integrada de Recife.

 “Apesar de todas as agruras das salas de aula, também cabe a nós mulheres ocuparmos e apoiarmos as instituições de ensino.”

“Fui educadora infantil por 10 anos, sou professora de história há cinco, mas, entre aulas de reforço e trabalhos de alfabetização de crianças com dificuldades de aprendizagem, desde os 18 anos ganho minha vida na área da educação. Mas ainda me entristece, porque muitas pessoas, inclusive homens – pais de alunos – só pressupõem que atuo na ala infantil. Porque para eles parece “fofo” ser professora nas séries iniciais. No entanto, não imaginam a responsabilidade que está por trás desse cargo.

Como se não bastasse o desdenho que sofremos por sermos mulheres e encararmos à docência, existe também uma descrença generalizada de que a educação escolar é limitada. Eu sei o quanto isso é verdade, contudo fazemos de tudo para que ela também seja revolucionária, emocionante e norteadora na vida das pessoas.

Em épocas como a nossa, marcadas por avanços de ideias conservadoras, cabe a nós mulheres não desistimos de ocupar esse espaço, de apoiar quem ocupa, de procurar conhecer mais e melhor como funcionam as instituições educativas nas quais nossas crianças e adolescentes são obrigados por lei a frequentar.”

Jacilene dos Santos trabalha numa escola que se situa na periferia de Jaboatão dos Guararapes, uma cidade próxima a Recife. Formada em História e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco, ela também é ex auxiliar do desenvolvimento infantil pela Prefeitura do Recife.

“Graças à natação, eu pude construir a minha autoestima e a minha aceitação como pessoa com deficiência.”

“Em 2003, aos meus 13 anos de idade comecei a nadar e, um ano depois, já passei a competir. Um dos motivos que me levaram a entrar na equipe de natação da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (ADEFAL), uma instituição que eu já era inscrita desde os meus 3 anos devido a Síndrome de Moebius, paralisia da qual sou portadora.

Ali, eu pude conhecer pessoas com vários tipos de deficiência e até “gêmeos de cotoco” – pessoas com má formação congênita nos membros bem parecidas com o meu caso -, que não se detinham, que levavam as suas vidas com bom humor, determinação e destemor.

Acredito que sempre tive muita força dentro de mim, mas só a descobri depois que eu vivenciei episódios de discriminação e preconceito. E ter essas pessoas tão próximas me mostrou que eu não estava sozinha. Assim, fui me fortalecendo diante das coisas que vivia, da energia e incentivo que as pessoas me passavam direta ou indiretamente.

Graças ao esporte, eu consegui me encontrar, entender que não havia nada de errado comigo e que eu deveria me impor, sem jamais deixar que me dissessem que eu era menos do que uma pessoa com direitos e deveres, como qualquer pessoa. Nem inferior, nem superior: igual.

No entanto, outro lugar que ampliou a visão que eu tinha do mundo e de mim mesma foi a universidade. Quando eu entrei na faculdade, confesso que tinha muito medo de sofrer bullying, discriminação por parte dos alunos, professores e coordenadores. Mas, felizmente, todos me abraçaram, enxergaram o meu potencial e confiaram na minha capacidade. Aliás, foi ali que eu perdi muito do meu medo de falar em público.”

Erica Ferro é nadadora paralímpica e já ganhou mais de 200 medalhas, troféus de maratonas aquáticas e prêmios de destaque esportivo estadual. Atualmente, aos 27 anos, ela concilia o esporte com os estudos em Biblioteconomia na Universidade Federal de Alagoas.

O Qual Farmácia deseja a todas essas mulheres – e a vocês aí do outro lado também – um feliz Dia da Mulher! Não só nesse dia 08 de março, mas todos os outros dias do ano também! Porque vocês merecem toda felicidade, paz e respeito! Vamos sempre incentivar as mulheres a conquistarem o mundo.

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