Jejum intermitente: o que é e como emagrece? por Paulo Rua

Jejum intermitente: o que é e como emagrece?

Jejum Intermitente (JI) é o nome dado à prática alimentar que alterna períodos de jejum com períodos de alimentação, ou seja, é um esquema que trata do QUANDO, mas não do QUANTO ou DO QUE comer.

Esse tipo de organização da rotina alimentar vem ganhando espaço entre aqueles que procuram a melhora da composição corporal pois demanda menor esforço e tempo no preparo e realização das refeições.

Afinal, pense comigo, o que é mais fácil: você preparar e comer 6 a 8 refeições por dia (o que daria um intervalo de aproximadamente 2,5 horas entre as refeições), ou fazer apenas 1 refeição a cada 16 horas, comendo “o que você quiser”?

Na minha opinião, a lei do menor esforço prevalece, e por isso, a prática do jejum intermitente vem conquistando um número cada vez maior de seguidores. Apesar de eu não concordar com essa proposta, não quer dizer que não existam “vantagens” nesse esquema alimentar.

Como funciona

Existem diversos protocolos para realização do jejum intermitente. Há propostas em que se faz uma refeição a cada 16 horas, outras em que 2 vezes por semana se faz jejum completo por 24 horas, e mais algumas outras variações.

Como eu sempre costumo dizer, os trabalhos para emagrecimento sempre são idealizados pensando primeiramente em balanço energético negativo, ou seja, você gasta mais calorias (energia) do que ingere, e pelo déficit calórico ocorre a mobilização das reservas energéticas para manutenção das funções corporais.

O que se faz no jejum intermitente nada mais é do que gerar um déficit calórico prolongado, já que o número de refeições diárias é reduzido. Aliás, esta é uma informação crítica e que deve ser abordada insistentemente, pois quando observo o perfil de paciente que procura esse tipo de esquema alimentar, sempre me deparo com aqueles que “não querem levar dieta à sério”, e a prática do jejum intermitente muitas vezes leva à perda de massa muscular, o que não é um resultado interessante .

Pessoal, entendam que o processo de emagrecimento é crônico, demanda continuidade e constância, logo não adianta ficar 16h morrendo de fome para, na sequência, fazer uma refeição de tranqueira, com alto valor energético e baixa qualidade nutricional.

Cientificamente falando

Além do déficit calórico “idealmente” provocado com o jejum intermitente, existem outras justificativas que embasam essa prática, apesar de todas elas também serem notadas em trabalhos dietéticos bem estruturados e que proponham um número maior de refeições ao longo do dia.

Os principais argumentos metabólicos a favor do jejum intermitente são:

  • Estímulo à biogênese mitocondrial (um processo fisiológico em que ocorre a formação de novas mitocôndrias que, grosso modo, são as “casas de máquinas” da sua célula, ou seja, são responsáveis pela geração de energia)
  • Melhora de sensibilidade à insulina (com a melhora da sensibilidade à insulina, a quantidade desse hormônio circulante tende a ser mais baixa, e a insulina é um hormônio muito lipogênico, ou seja, favorece o acúmulo de gordura e, portanto, se há menor formação de gordura, o processo de emagrecimento fica facilitado);
  • Retardamento no processo de envelhecimento, pois há redução no ritmo de proliferação celular (a desregulação desse processo em que a célula se divide e se multiplica pode provocar o aparecimento de câncer em idosos).

Para emagrecer com saúde

Como foi dito anteriormente, o jejum intermitente é uma prática que trata do “tempo” entre as refeições, e não da qualidade ou quantidade dos alimentos ingeridos.

Dessa forma, um plano alimentar individualizado, calculado considerando as variáveis de resposta metabólica do indivíduo, será mais eficiente na promoção de saúde e emagrecimento do que a simples proposta de “fechar a boca”.

Riscos

Se uma pessoa adotar o JI como um hábito alimentar por um longo período, sempre haverá restrição calórica excessiva.

Portanto, existe a possibilidade de perda de massa muscular (massa magra), e esta é a principal determinante da taxa metabólica do indivíduo, portanto, a longo prazo, é provável que ocorra redução do desgaste calórico basal (da quantidade de calorias gastas para manter as atividades do organismo), além de perda de funcionalidade e força muscular.

Não esqueçam de comentar suas dúvidas e de compartilhar esse texto que preparei com carinho para vocês. Nos vemos mês que vem aqui no blog Qual Farmácia!

 

 

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