Entenda por que os carboidratos podem influenciar no humor por André Santos

Entenda por que os carboidratos podem influenciar no humor

Baixa autoestima, falta de ânimo e de energia para cumprir as tarefas cotidianas e até mesmo mau humor são sinais comuns para aqueles que decidem cortar os carboidratos da alimentação. Isso ocorre devido a um possível (e natural) aumento do cortisol, adrenalina e noradrenalina, considerados os hormônios do estresse e responsáveis pela produção endógena de glicose no organismo, que pode aumentar o apetite e a sensação de irritação.

É importante dar atenção às outras substâncias que são afetadas por essa ausência, como os níveis aumentados de dopamina que também estão relacionados com maior ansiedade, compulsão, agitação, agressividade e piora da qualidade do sono. Ao mesmo tempo que há uma queda na produção de serotonina, um neurotransmissor derivado do triptofano (um aminoácido essencial que o nosso corpo não consegue produzir) e responsável por sensações de bem-estar, alegria, saciedade, controle de impulsos, tomada de decisões, racionalidade e diversos outros aspectos do comportamento e cognição.

Em contrapartida…

Se a dieta é restritiva de carboidratos, ela proporcionalmente deve apresentar mais proteínas (alimentos principalmente de origem animal, como carnes, peixes, ovos e leite e seus derivados) e/ou lipídios (além de serem gorduras encontradas também nas mesmas fontes que as proteínas, também podem ser ingeridas nos óleos vegetais, sementes e oleaginosas).

No entanto, o excesso de lipídios especialmente os saturados (de origem animal) estará relacionado a uma pior saúde intestinal, também importante na síntese de serotonina. Já o excesso de proteínas está mais relacionado àquelas fontes de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs).

Relação entre os BCCAs e a dieta restritiva em carboidratos

Os BCAAs são um ótimo suplemento que pode ser usado para aumentar a intensidade dos treinos e minimizar a perda muscular. Contudo, eles competem com o triptofano (um aminoácido essencial, não produzido pelo organismo e que deve ser obtido pela alimentação) que entra no cérebro e que, por sua vez, diminui a quantidade de serotonina produzida, resultando em menos fadiga. Logo, quanto mais BCAAs circulantes, menor a concentração relativa de triptofano.

Dietas muito hipocalóricas (com redução de calorias) também se relacionam com baixos níveis de triptofano. Logo, a procura pelo alimento será maior – e a adesão à dieta, possivelmente menor.

Há ainda outros nutrientes essenciais para o funcionamento das vias responsáveis não só pela síntese de serotonina, mas também dos outros hormônios que atuam a nível celular, como o  Magnésio, Zinco, Vitamina D, Ômega 3, Vitamina B6, entre outros nutrientes.

Saúde em primeiro lugar

Por isso, não basta restringir apenas os carboidratos para emagrecer! Em um contexto bem comum de estresse, ansiedade, depressão, má qualidade de sono, baixa disposição, entre outros sintomas, é importantíssimo avaliar se a falta de carboidratos visando basicamente a estética é realmente a melhor opção.

A adesão à dieta é e continuará sendo o fator mais importante para que se obtenham os resultados advindos dela. Nutrição é muito mais do que restringir ou liberar determinado alimento ou nutriente. É individual. Além do mais é necessário avaliar cada variável e entrar em acordo com o paciente.

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