por Qual Farmácia

Dia da Consciência Negra: o empoderamento e a autoestima da mulher negra

Íris, brasiliense, filha de mãe indígena e pai afrodescendente, se sentia feia e inferior às outras pessoas na infância por causa de seus traços fortes. Apelidada de “nega do cabelo duro” e “beiçuda”, ela se recorda como aquela sensação de exclusão a perseguia durante uma fase que deveria ser de integração e descobertas.

Essa poderia ser apenas mais um caso isolado de racismo na história de Íris Costa, contudo, assim como outras mulheres, ao longo de sua vida ela vivenciou experiências que afetaram não somente a sua autoestima, mas também a sua saúde psicológica. Afinal, como se sentir amada e valorizada quando a sociedade nega a sua existência devido às suas características físicas?

Com o decorrer do tempo, ela percebeu que além da beleza ter um significado individual e subjetivo, de modo geral as pessoas ainda não estão preparadas para aceitar, respeitar e, principalmente, elogiar a boniteza da mulher negra. Sobretudo porque falta espaço para a representação e a identificação das mulheres negras na moda, nas revistas, nas novelas, nos outdoors, no cinema, no teatro, nas profissões, entre outros lugares.

Amor-próprio é construção

“Hoje sou uma mulher muito bem resolvida. Sei que sou linda, inteligente, nem melhor nem pior do que ninguém. Tudo o que passei na infância e na adolescência, tomo como uma grande lição para minha vida. O que passei e tenho passado e o que ainda vou passar só por ter nascido mulher, negra e na periferia, me tornam uma mulher mais forte e decidida.

Só descobri minha beleza quando deixei de olhar para a sociedade e passei a olhar para mim mesma. Me enxerguei como um ser humano dotada de toda capacidade física, mental e motora. Ninguém mais poderia me diminuir, pois eu havia descoberto que eu poderia ser o que eu quisesse e que nada e nem ninguém poderia me impedir. Assim, tornei-me determinada. Traço um objetivo e vou até o fim. Seja qual for o resultado, eu sempre finalizo o que começo”, declara Íris.

Empoderar-se é libertador

Nesse mesmo contexto, a jornalista Cibele Moreira conta como assumir o seu “black” foi parte essencial para a redescoberta de sua origem e identidade. Na adolescência, massacrada pelos estereótipos impostos pelas mídias, ela tentava a todo custo domar os cachos. Até que um amigo a apelidou de “chapinha”, porque toda semana ela alisava as madeixas.

Porém, o mais surpreendente é que a mesma mídia que massacra, também estimula de tempos em tempos uma mudança de comportamento. “Ter o cabelo crespo, armado e bem volumoso virou sinônimo de estilo nos dias de hoje. No entanto, trata-se de um espaço conquistado com muita luta”, destaca Cibele.

Diante deste incentivo, em 2015, quando resolveu abandonar quaisquer pressões internas e externas e adotar os cabelos no estilo black, ela passou a enfrentar um fato inédito: as pessoas passaram a pará-la nas ruas para elogiá-la.

“Isso me surpreendeu de uma forma que não consigo explicar. O movimento feminista negro ganhou espaço, ganhou força, e eu me vi representada – pela primeira vez. Nesse sentido, posso dizer que o empoderamento feminino negro me ajudou a me libertar, a me encontrar da forma mais natural e de bem comigo mesma. […] É uma sensação tão boa, mas tão boa que eu fico imaginando, porque quando eu era mais nova não tinha isso?”, essa é uma reflexão que a jornalista faz e que deve ser ponderada.

Evidências científicas

De acordo com um estudo realizado pela empresa Dove, 9 em cada 10 meninas gostariam de mudar algo na própria aparência, 6 em cada 10 se preocupam tanto com isso que preferem deixar de realizar atividades importantes quando não estão confiantes o bastante com sua aparência e apenas 4% das mulheres de todo o mundo se acham bonitas.

Agora, imaginem como esse estigma deve pesar para as mulheres negras que além de enfrentarem as cobranças de ter que seguir um padrão de beleza, ainda encaram o racismo? Neste Dia da Consciência Negra, debater sobre este assunto é primordial para uma sociedade mais mentalmente saudável, igualitária e justa.

Por isso, compartilhe esse artigo do Qual Farmácia e trabalhemos juntos nesta missão!

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