Cientistas criam pomada antibiótica para deter superbactérias por Qual Farmácia

Cientistas criam pomada antibiótica para deter superbactérias

Em seu mais recente relatório, Carmen Lúcia Pessoa da Silva, coordenadora brasileira da área de resistência aos antimicrobianos da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que, nos próximos anos se nada for feito, as infecções causadas por superbactérias resistentes a antibióticos serão a principal causa de morte no mundo a partir de 2050. No Brasil, esse número já chega a 23 mil por ano.

Essa ameaça à saúde pública tem levado a comunidade médica científica a uma mobilização constante na criação de estratégias para controlar a disseminação dessas infecções e, consequentemente, na promoção de ferramentas inovadoras que previnam o crescimento da resistência antimicrobiana.

Foi assim que um grupo de pesquisadores da Holanda manipularam um peptídeo (um composto químico capaz de ativar ou inibir processos biológicos) de origem humana que, ao ser usado na forma de pomada, conseguiu matar uma ampla gama de bactérias resistentes aos antibióticos.

O estudo

Para desenvolver um fármaco semelhante aos antibióticos, os cientistas escolheram o peptídeo LL-37, já investigado em pesquisas anteriores e considerado um dos mais promissores como antimicrobiano devido à eficácia desse conjunto de moléculas no combate às bactérias.

Com base nesse peptídeo natural, os pesquisadores sintetizaram variantes dele e  a manipulação resultou em outro conjunto de peptídeos, entre eles o SAAP-148, que se mostrou altamante eficiente no combate a micro-organismos em amostras sanguíneas.

De acordo com Anna Breij, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade Médica de Leiden, na Holanda, o SAAP-148 mostrou-se ativo contra as comunidades bacterianas, chamadas também de biofilmes. Elas vivem juntas e, por isso, são mais difíceis de serem erradicadas com antibióticos convencionais. Esse peptídeo também se mostrou eficaz no combate a células persistentes, que não são mais tolerantes aos aintibióticos e responsáveis por muitas infecções recorrentes.

O medicamento

A última etapa da pesquisa consistiu em incorporar o peptídeo numa espécie de gel, que permitia a aplicação tópica (diretamente na pele). Assim, os pesquisadores o testaram em amostras de pele humana contaminada. O resultado desta abordagem além de segura e eficaz, também eliminou as bactérias anteriormente consideradas resistentes.

O objetivo é que, ainda neste ano, a pomada antibiótica seja testada num ensaio clínico com humanos para aplicação tópica, já que o estudo obteve uma concessão para desenvolver nanoformulações (termo utilizado na nanotecnologia para definir a manipulação de átomos e moléculas de tamanho nanométrico para construir estruturas complexas) para o SAAP-148 .

Ressalvas

Apesar de revolucionário, o peptídeo SAAP-148 ainda precisa ser investigado para que seja melhor abordado. Uma vez que, em contraste com outros antibióticos, o novo medicamento não beneficia o surgimento de superbactérias por conta do seu mecanismo de ação inespecífico (sem alvo) e da rapidez de ação.

A ideia é que ele possa ser utilizado isoladamente ou em combinação com antibióticos, para tratar infecções, e assim reduzir a chance da indução de resistência.

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