Câncer aos Vinte: jovem cria blog para narrar sua história e ajudar outras pessoas por Qual Farmácia

Câncer aos Vinte: jovem cria blog para narrar sua história e ajudar outras pessoas

“Imagine que você tem toda a sua vida planejada e, de uma hora para outra, uma notícia muda toda a sua rotina…” Assim como Isabel Costa descreve, a cada ano 12, 7 milhões de pessoas no mundo têm suas vidas transformadas após o diagnóstico do câncer. Por isso, a nossa missão é combatê-lo por meio de campanhas e esclarecimentos sobre a doença.

Em alusão ao Dia Mundial do Câncer, celebrado no próximo dia 04 de fevereiro, contamos a trajetória desta jovem brasiliense que não só reuniu forças para encarar o tratamento aos 20 anos de idade como também criou um blog chamado Câncer aos Vinte, com o objetivo de apoiar e informar outras pessoas que estavam e estão passando pela mesma situação.

O diagnóstico

Por uma questão estética, desde muito nova, Isabel queria colocar silicone. E, em fevereiro de 2016, ela teve a oportunidade de realizar esse sonho. Mas, alguns meses depois, observando suas fotos de um ensaio de biquíni, percebeu que as mamas estavam de tamanhos diferentes. “Algo estava estranho. Parecia que minha mama estava torta, uma menor que a outra. Mas como sou exagerada, pensei que pudesse ser coisa da minha cabeça ou excesso de vaidade, nem dei bola”, relata em seu blog.

Porém, os sinais da doença continuaram a aparecer. Em julho de 2017, a jovem revela que ao fazer o autoexame, sentiu que a prótese estava se deslocando e notou o aparecimento de um nódulo. A partir disso, junto com a mãe, ela retornou ao médico com quem tinha colocado a prótese e o diagnóstico veio de maneira abrupta e rude.

Nas palavras de Isabel, a notícia veio como uma sentença de morte. “Eu realmente achei que estivesse com meus dias contados, e pior, por culpa minha, pois foi assim que aquele profissional fez com que eu me sentisse”, declara.

O acompanhamento médico

Na época, assustada com o diagnóstico recebido de forma súbita, fez com que ela junto à família procurasse uma segunda opinião. E foi assim que ela chegou nas mãos carinhosas do Dr. João Nunes, médico-oncologista da Clínica Cettro, em Brasília.

“O Dr. João é super-humano, capacitado e um amor de pessoa. Me explicou tudo direitinho, de forma bem pausada: o tipo de câncer, o tratamento, o tempo de tratamento e o resultado esperado. E me disse algo muito importante: que o câncer é uma doença que está “mapeada”; que existe um protocolo internacional. Isso significa que se eu fosse para os Estados Unidos, para o Reino Unido ou para a Europa, eu teria o mesmo tratamento que estou tendo aqui em Brasília”.

Os exames, o tratamento e o acolhimento

No caso de Isabel para se ter um diagnóstico preciso e seguro do câncer foram necessários alguns exames, como: a Core-biopsy (uma biópsia feita por uma agulha grossa), ressonância magnética das mamas, tomografia computadorizada de abdômen total e do tórax, e cintilografia e ecodoppler do coração para verificar se o câncer havia se espalhado para outras partes do corpo.

O resultado após essa bateria de exames foi de que a jovem tinha carcinoma ductal infiltrante na mama esquerda, o tipo mais comum de câncer a atingir as mulheres. Por isso, o tratamento mais adequado foi dividido em duas etapas: a primeira consistia em 4 ciclos de quimioterapia, um a cada 15 dias. Já a segunda fase, em 12 ciclos de quimioterapia, um a cada semana.

Nesse estágio, a presença da família foi essencial! A mãe Helenice Miranda então, desde a notícia não saiu mais do lado da filha. “Não nos separamos mais, minha família está comigo e me apoia, […] E sinto que estamos mais unidos, porque o afeto nos torna mais fortes”, confessa Isabel.

A perda dos cabelos

Mas, para quem pensa que perder os cabelos foi um desafio para a estudante, está muito enganado! Ela conta que esse foi o menor dos problemas. “Nas duas primeiras sessões de quimio, cheguei a usar o scalp cooler – uma espécie de touca que congela o couro cabeludo e promete preservar os cabelos. Mas eu tive enxaqueca por conta disso e percebi que minha vaidade não merecia tanto sofrimento.”

“A partir da terceira sessão não o utilizei mais e meu cabelo caiu consideravelmente. Logo, meus fios foram caindo gradativamente por conta da quimio até eu decidir raspar. Nesse dia, eu não chorei e não me doeu. Não é que eu me ache maravilhosa sem meus cabelos agora, mas tenho coisa mais importante para me preocupar, que é a minha saúde e a minha cura!”

O blog como uma rede de apoio

Exausta de ter que ficar repetindo a sua história até mesmo para pessoas mais próximas, em setembro de 2017, Isabel criou o blog Câncer aos Vinte. E o que era para ser apenas um mero diário virtual, ganhou um novo propósito ao perceber que outros pacientes com câncer também a estavam lendo.

“O blog me aproximou de pessoas de idades, sexo e classes sociais muito diferentes à minha. Porque o câncer é assim, ele não escolhe quem ele vai atingir. Felizmente, o blog acabou virando uma grande troca de experiências com outros pacientes oncológicos e nos tornamos de uma ‘mesma tribo’. O melhor é que essas conversas nos fortalecem, ajudam e contribuem para quem vai viver o que eu vivi e o que eu vivo e outras pessoas já viveram”.

Mesmo Isabel ainda seguindo com os tratamentos, o mais interessante é que, em dezembro de 2017, essa atitude inspiradora a levou à São Paulo para o I Encontro de Comunicadores Digitais no Mundo do Câncer da ONG Instituto Oncoguia. No final do evento, ela e mais 30 blogueiras – que enfrentaram ou enfrentam os mais variados tipos de câncer – foram intituladas Causadores Oncoguia, uma campanha onde elas se comprometem a batalhar por uma internet segura, honesta e com informação de qualidade sobre o câncer.

E você conhece alguém que já enfrentou ou está enfrentando o câncer? Aproveite a oportunidade para compartilhar esse artigo e ser mais um agente transformador, levando um conhecimento indispensável na luta contra o câncer!

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